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Entrevista com Prof. Maurício Barbanti
(28/11/2007)

Por volta do dia 20 de outubro fomos informados da morte do filhote da Radija, fêmea do casal de Cervos-do-Pantanal. A primeira suspeita é de uma infecção no cordão umbilical, porém a causa só será confirmada após análise do material enviado à Universidade de São Paulo.

A reprodução em cativeiro é uma tarefa difícil, ainda mais quando falamos de animais deste porte. Para tratar do assunto conversamos com o Prof. Maurício Barbanti, vice-coordenador do grupo de especialistas em cervídeos da IUCN (União mundial para conservação) e prof. do departamento de zootecnia da Faculdade de Ciências agrárias e veterinárias da UNESP campus Jaboticabal:

1. Qual é o status de ameaça de extinção do cervo-do-pantanal atualmente? Qual a população restante em vida livre?

O cervo-do-pantanal é considerado como vulnerável, tanto pelo IBAMA como pela IUCN (União Mundial para Conservação). Isso retrata uma situação de ameaça não eminente de extinção. O número de animais ainda existente no País é desconhecido, mas algumas populações já foram avaliadas. No Pantanal, onde permanece a maior população da espécie, estima-se que ainda existam por volta de 7 mil animais. Por outro lado, em toda a Bacia do Rio Paraná restam pouco mais de mil animais. Outras populações importantes, como a do vale do Rio Guaporé e a do Rio Araguaia ainda não foram estudadas.

2. Qual o número de animais em cativeiro? Quantos são os criadouros conservaciontas ou zôos signatários ao programa de conservação ex situ e qual o número de indivíduos atualmente?

Em cativeiro no Brasil existem hoje aproximadamente 110 animais, distribuídos em 14 instituições, entre elas o Parque Fioravante Galvani, que participam do plano e conservação da espécie. Entretanto, quase 50% dos indivíduos se concentram em uma só instituição, o que não é uma situação favorável, havendo a necessidade de um maior número de instituições participantes para que a população possa ser mantida de maneira segura.

3. E como estes indivíduos poderiam contribuir para a conservação da espécie?

É importante que a população em cativeiro tenha uma boa qualidade, tanto sanitária como genética, para que possa contribuir com populações selvagens. A população de cativeiro é uma apólice de seguro para as populações naturais, ou seja, se qualquer problema ocorrer com uma população de determinada localidade, poderá haver uma interferência, com aporte de animais do cativeiro, contribuindo para a estabilidade da população em foco

4. Como é o sucesso reprodutivo da espécie em cativeiro?

A espécie tem se reproduzido muito bem em cativeiro, mas a mortalidade é muito alta. Devido a isso, a população não tem aumentado em cativeiro, o que é muito preocupante. A redução das taxas de mortalidade depende de um envolvimento mais sério das instituições signatárias do programa para seguir os protocolos recomendados por nós. As instituições que seguem as bases do protocolo de manejo em cativeiro têm tido grande sucesso na redução das taxas de mortalidade.

5. Existe a possibilidade de reintrodução destes animais nascidos em cativeiro?

Sim, esta é justamente a função de um programa de conservação “ex situ”. Entretanto, temos que entender que este processo não é fácil e nem barato. Adaptar um animal nascido em cativeiro à vida livre é um processo complexo e que ainda estamos aprendendo. Estimamos que cada animal reintroduzido nos custe por volta de 15 a 20 mil reais, ou seja, é bem mais barato a conservação “in situ”. Porém frente ao modelo econômico e produtivo adotado pelo homem, o número de ações ‘in situ” têm estado muito aquém do necessário para a efetiva conservação de nossas espécies ameaçadas. Nesse caso, nos resta garantir o futuro das populações com a manutenção de plantéis saudáveis em cativeiro.

Instituto Lina Galvani . Avenida Onófrio Milano, 589 . Jaguaré . São Paulo . SP . Tel: +55 11 3767-0040